PRESTíGIO E SUOR NA ESCALADA FEMININA
DCI - Comércio Indústria e Serviços
2002 - 24/08/2002

Depois de a emancipação feminina conquistar o mercado de trabalho em áreas distintas, chegou a vez de uma profissão até então historicamente dominada pelos homens: a advocacia. Segundo estimativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), dos cerca de 450 mil profissionais existentes no Brasil, 45% são mulheres.

em São Paulo , o maior colégio de advogados do País, dos 170 mil profissionais, 41,92% são mulheres. “Nos próximos três anos, o número de mulheres deve ultrapassar o de homens”, diz a presidente da Comissão da Mulher Advogada, Maria Avelina Imbira Hesketh.

Só para se ter uma idéia desta evolução, há três anos o número de mulheres representava 40% do total de advogados do País e 36% do Estado de São Paulo, segundo estimativas da OAB. Essa mudança reflete o aumento da participação feminina nas faculdades de Direito.

Pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), órgão do Ministério da Educação, apontava em 1997 que as mulheres respondiam por 48% dos formando de Direito. Em 2001, a realidade já era outra: 54% dos graduados foram mulheres.

Obstáculos

Apesar de toda esta expansão, as mulheres têm mais dificuldade em chegar a postos de comando elevados, como juizas, ministras corregedoras e desembargadoras. “Além do preconceito, que ainda acontece na prática, muitas vezes as mulheres são privadas de cargos melhores por terem que enfrentar uma dupla jornada”, no escritório e em casa, destaca a advogada Adriana Graghani. Ela realizou um estudo para a OAB-SP sobre a posição da mulher dentro da organização.

“Atualmente, dos 1,2 mil cargos existentes na OAB, apenas 11% deles são ocupados por mulheres”, diz Maria Avelina. Ela foi a primeira mulher a assumir o posto de vice-presidente na Ordem dos Advogados do Brasil, seccional do Pará. Isso quase no fim do milênio, em 1998.

“Só consegui chegar a este posto com muito trabalho e equilíbrio”. Avelina começou na carreira jurídica em um escritório de advocacia e foi conquistando espaço no mercado até ocupar o cargo de Procuradora Geral do Estado do Pará. “A principal dificuldade que tive foi conciliar a tarefa de mãe de quatro filhos com uma profissão tão agitada.”

Avanços

A juíza Maria Aparecida Pelegrina também é uma das mulheres a conquistar um cargo de prestígio no direito público. Foi eleita neste mês a primeira presidenta do Tribunal Regional do Trabalho da Segunda Região. “Este reconhecimento se deve aos mais de 20 anos dedicados ao direito do trabalho, passando pelas mais diversas funções”, destaca.

Não é apenas em cargos de magistratura que as mulheres vêm obtendo destaque. A advogada Sonia Marques Döbler venceu desafios em meio a homens engravatados e hoje é dona de seu próprio escritório de advocacia. “Antes de ter meu negócio, trabalhei durante 20 anos em uma multinacional, fazendo carreira e assumindo cargo de direção na área jurídica, antes só delegado a homens.”

A paulista Dora Cavalcanti driblou o preconceito atuando em uma área predominantemente masculina – a criminal. Sócia do escritório do criminalista Márcio Thomaz Bastos, a jovem advogada de 30 anos diz ter conquistado a confiança dos clientes e do patrão mostrando trabalho. “No início de minha carreira foi difícil enfrentar o machismo. Depois de dez anos, consegui mostrar que a área criminal pode ser feminina também. Com isso, ganhei credibilidade e respeito”, diz a advogada. E qual seria o motivo que a levou a escolher uma carreira dominada por homens? “É a área mais envolvente e dinâmica do Direito.”

Índice – 2 a 6
São Paulo – 6 a 22
Guarulhos – 22 a 24
Osasco – 24 a 27
Falências – 27
Tabela de Custa – 28